Artistas

Skip James

por Pedro Antônio Seixas Subutzki

Artista: Skip James
Nome verdadeiro: Nehemiah Curtis James
Nascimento: Aprox. em 21 de Junho de 1902 (Morte em: 3 de Outubro de 1969)
Biografia:

Skip James ao vivo no Newport Festival Nehemiah Curtis James, foi durante um bom tempo contrabandista de bebidas devido à lei seca que vigorou nos EUA. Apelidado de Skippy, por não ficar por muito tempo num mesmo lugar, ele viria a ser no futuro uma das maiores lendas do Blues. Aqui temos a honra de falar sobre Skip James!!!

Tudo começou quando amigos levaram Skip num concurso de talentos realizado numa loja de músicas no centro da cidade de Jackson, Mississippi. O avaliador desse concurso era nada mais, nada menos que H. C. Speir, homem que já havia descoberto outros nomes do Blues como Son House, Charley Patton, Bo Carter, etc.

Ao escutar Skip tocar e cantar, Speir ficou chocado. A vitória do concurso era de Skip, isso o levou a assinar um contrato com a Paramount Records e ganhar uma passagem para Grafton, Wisconsin, onde seria feita a gravação do disco do ainda não famoso Skip James.



Ao chegar a Grafton, Skip foi recepcionado pelo produtor Art Laibly que seria o responsável por produzir o disco dele. Um fato interessante, é que nessa época eram as indústrias de móveis que fabricavam os gramofones e os discos, por isso as gravações ocorreram no sótão de uma antiga fabrica de cadeiras.

Em Fevereiro de 1931, antes de iniciar as gravações, Laibly trocou o violão vagabundo que Skip costumava usar, por um Stella, ele ficou maravilhado com o novo instrumento. Nessa primeira sessão Skip gravou 18 faixas, sendo algumas coisas de Blues, outras de fundo mais gospel que lá eram conhecidas como "spirituals", alguns covers, mas a maioria de sua própria autoria. Uma coisa interessante é que Skip era um grande pianista também, e pra deixar isso registrado para a história, na segundo dia de gravação ele gravou mais 8 faixas ao piano. Essa se tornou umas das mais lendárias sessões de TODOS os tempos.

Ao termino da gravação Skip deveria escolher como iria receber pelo trabalho, se seria em dinheiro ou em participação. Skip optou pela participação vislumbrando o número de vendas de seu disco.

Sendo assim Skip deixou Grafton com apenas $40,00 para despesas no bolso e com a sensação de dever cumprido, porém não foi isso que aconteceu. Skip nunca mais viu um centavo sequer. Isso talvez não tenha sido o pior, já que ele não chegou a escutar nenhuma de suas gravações. As vendas de discos quase acabaram no início dos anos 30, pois com difusão do rádio era possível escutar música totalmente de graça. A Paramount Records lançou algumas músicas de Skip em números limitados, porém ela viria a falir pouco tempo depois.

Skip entrou em depressão por seus discos não fazerem sucesso, e decidiu abandonar o blues e sua carreira musical e seguir os passos de seu pai que era um ministro da igreja batista, dessa forma Skip começou uma nova vida de devoção ao senhor e desapareceu do cenário musical. Os poucos discos lançados viraram preciosos itens de coleção, transformando Skip James numa das maiores lendas do Blues de todos os tempos.

Mississippi John Hurt (esq.) e Skip James (Dir.)

Na década de 60 aconteceu algo extraordinário no Mississippi. O festival de Newport em 1964 contou com a presença de grandes músicos que estavam esquecidos, entre eles Mississippi John Hurt e o lendário Skip James que havia sido encontrado esquecido num hospital em Tunica, Mississippi.

Não se sabe o que aconteceu com Skip entre a década de 30 e 60, já que não existem registros dele entre 1931 e 1964.
A pergunta que todos fazem é: Será que ele tocou nesse período?

O que importa é que após 33 anos de sua descoberta Skip voltou ao palco e tocou para aproximadamente 17.000 pessoas, o maior público de toda sua vida. Skip talvez tenha sido a maior sensação desse festival, já que ele era o tema da conversa de todos.

Existem registros gravados em vídeo da competição entre Son House, Bukka White e Skip James.

Skip usava uma afinação diferente, que é conhecida como D-minor (D,A,D,F,A,D) e uma técnica que ele desenvolveu e ficou conhecida como "three-finger picking" que aliada ao seu vocal criavam uma textura e um tipo de som que jamais seria reproduzido novamente. Skip tinha um estilo único de cantar, que muitos diziam que era como se ele estivesse rezando. De suas 26 músicas gravadas naquela sessão lendária apenas 18 foram inseridas no disco, ou seja, infelizmente temos algumas músicas que foram perdidas no tempo e nunca mais poderão ser escutadas.

As músicas de Skip podem ser ouvidas no disco "I'd Rather Be the Devil: The Legendary 1931 Session".

01. Devil Got My Woman
02. Four O'Clock Blues
03. 22-20 Blues
04. Cypress Grove Blues
05. Cherry Ball Blues
06. Illinois Blues
07. Be Ready When He Comes
08. Hard Luck Child
09. Hard Time Killin' Floor Blues
10. Yola My Blues Away
11. Jesus Is A Mighty Good Leader
12. How Long
13. Drunken Spree
14. I'm So Glad
15. Special Rider Blues
16. Little Cow And Calf Is Gonna Die Blues
17. What Am I To Do Blues
18. If You Haven't Got Any Hay Get On Down The Road

Bibliografia:
DVD - The Soul Of A Man
Wikipedia - http://en.wikipedia.org/wiki/Skip_James
Fotos por Dick Waterman


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